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O Brasil do Futuro e a Crise do Presente 2


Fiz toda essa introdução anterior para falar do nosso Brasil que saiu mais forte que entrou na crise. Demonstrou excelente desempenho em meio tão adverso, sendo exemplar até mesmo para os EUA e UE (União Européia). Que mostrou ser um país soberano. O nosso país que terminou o ano de 2009 com o crescimento do PIB em negativo.... pera aí! Tem algo errado nesse discurso porque a realidade é que o PIB foi de -0,2%. Nos últimos 18 anos só aconteceu algo parecido em 1992, justamente no ano em que Collor sofreu impeachment.

Nos últimos 2 anos (2008 e 2009) a política do Governo tem sido a de salvar os grandes empresários e suas empresas a todo custo. Mostra disso foi a transferência direta de 370 bilhões de reais e a isenção ou redução de impostos para estas empresas. Em março de 2009 a soma de todas as ações de salvamento de ricos era de 475 bilhões de reais. Tais medidas suavizaram a crise num primeiro momento ao custo do futuro. A crise é mundial, a classe dominante também é mundial, e as medidas adotadas pelos diversos países foram parecidas e até mesmo elaboradas em conjunto. Uma primeira mostra do futuro já chegou e tem a Grécia como seu palco.

O Estado brasileiro entrou no vermelho mais de uma vez nesse curto período de 2 anos, pois o dinheiro público, fruto do trabalho de todos os brasileiros, não estava sendo usado pelo o Estado para cumprir suas responsabilidades constadas na Constituição e sim para salvar meia dúzia de magnatas. Enquanto isso a política para os trabalhadores era demissão e facilitar empréstimos aumentando ainda mais o endividamento das pessoas.

Só para se ter uma idéia, as remessas para o exterior superaram 2,8 bilhões de dólares nos últimos meses de 2008. A isenção do IPI fez com que o país deixa-se de arrecadar 2,5 bilhões de reais e contribui para as remessas de lucros para o exterior. Agora, em março, o BC (Banco Central) estima que a conta corrente (agrega balança comercial e conta de rendas e serviços) de 2010 terminará com um deficit de 49 bilhões de dólares. Isso se deve a remessas de lucros das multinacionais para suas matrizes. 

Segundo o BC, essas remessas somarão 32 bilhões de dólares no mínimo. No ano passado foi 24,3 bilhões de dólares de deficit. Além disso a dívida pública saltou de 61 bilhões de reais para 1,68 trilhão no período de 1995 -2008 e em 2008 os juros para rolar essa dívida representaram 30,5% de toda a arrecadação tributária do país (Auditoria Cidadã).

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O Brasil do Futuro e a Crise do Presente

Vou iniciar aqui uma série curta e rápida de posts sobre o Brasil atual e contra-argumentar a idéia propagada de que a Grécia esta “falida” por causa do custo do setor público e da má administração e não por causa da política liberal, da rapina econômica e da política de salvamento de grandes empresas e bancos e, por último, não por causa do próprio capitalismo. Mostrar que este pode ser o Brasil do futuro.

No séc. 20 tivemos momentos que marcaram reviravoltas tais como 1º e 2º GM (Guerra Mundial), a crise de 1929, a revolução russa e o fim da URSS. Desde de 2008 estamos entrando em uma nova fase da nossa história que é marcada por uma crise econômica que joga por terra toda a política sócio-econômica dos últimos 20 anos. Foi o fim do Estado mínimo e, para os europeus, também foi o fim do Estado de bem estar social.

É curioso observar que a sociedade do capital, da competição do todos contra todos, da incessante inovação tecnológica entra em crise, justamente, quando sua capacidade produtiva supera sua capacidade de vender. É como se essas forças produtivas se revoltassem e tomassem vida própria, se colocando à frente de todo o atual sistema social. Uma crise cuja expressão é a superprodução. O que pessoas de épocas onde crise era sinônimo de escassez pensariam das crises de hoje?
Em vez disso ser visto com gratificação a sociedade do capital atravanca a produção no lugar de impulsioná-la. E assim se vê a destruição de boa parte das forças produtivas: fabricas são fechadas e trabalhadores são demitidos para voltarmos à “escassez” e permitir que os senhores burgueses continuem lucrando.

Mas por quê a crise? A sociedade possui civilização em excesso, meios de subsistência em excesso, comércio em excesso (como diria o Manifesto Comunista), mas o excesso é um atentado contra o desenvolvimento das relações burguesas de propriedade. A capacidade de produção não mais favorece as relações burguesas de propriedade, pois essa capacidade das forças produtivas exige uma nova forma de relações sociais para se manter, de um novo sistema social.

E é assim que temos vivido, de crise em crise, nos últimos séculos.
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Video muito legal e engraçado sobre a crise financeira:
Crise Financeira Explicada

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Eleições

Alguns dias atrás vi a propaganda política do PCB na tv e eles trouxeram um dado muito interessante: que os 10% mais ricos conseguiram ficar mais ricos ainda. Tá, e daí? Isso me inspirou para escrever um testinho bem rápido sobre nossas eleições de cartas marcadas:


O Brasil proclamou sua independência, mas o filho do rei é que assumiu a gerência.
O Brasil aboliu a escravidão, mas o negro da senzala foi direto pra favela. (Gabriel, o pensador)
O Brasil quis um governo dos trabalhadores, mas o trabalhador da presidência se mostrou um grande empresário.

No Brasil de 2010 o presidente é o Lula do PT. Se alguém tivesse entrado em coma em 1998 e voltasse do coma hoje poderia pensar: finalmente o Brasil é soberano, é o trabalhador quem manda, finalmente os interesses sociais estão acima dos interesses privados.

Esta pessoa está prestes a entrar em coma de novo. O problema começa aqui.
Descobre que de cada 10 dólares de riqueza produzida no Brasil, entre 6 e 7 ficam nas mãos das multinacionais. Descobre que 62% da Petrobras 100% pública estão na bolsa de Nova York.

Percebe que no Governo do PT os trabalhadores tiveram aumento de salário em 53% e no mesmo período os grandes empresários tiveram aumento de lucro em 400%. 

Que no meio de uma das maiores crises da história distribui 11 bilhões de reais para os pobres e distribuiu 370 bilhões de reais para os ricos.

Que em vez de lutar pela soberania chega ao ponto de mandar tropas pro Haiti e de dar 4,5 bilhões de dólares pro FMI. Que foi neste Governo que começaram a privatizar a Amazônia através de concessões.

Descobre que PROER e outras maracutaias viraram brincadeira de criança. Que a Reforma Agrária é inexistente e que os trabalhadores de hoje tem menos direitos que os de antigamente.

A conclusão que o ex-comatoso chega é de que PT e sua coligação passaram a defender as mesmas políticas e a usar os mesmos métodos da direita, que tanto repudiaram. Que entre PT e PSDB só muda a cor da gravata. Não é à toa que FHC se morde de inveja.

Mas o pior ainda está por vir. Pois tudo isso aprendeu, mas ainda não tem dimensão do que ou de quem isso representa. A dívida do Brasil é de um 1,68 trilhão de reais e seus juros e amortizações representa 30,5% da arrecadação tributária.
O soldo disso tudo se revela agora com a clara mostra de quem saiu ganhando com todas essas políticas:
Em 1990 os 10% mais ricos controlavam 53% da riqueza do país; em 2010 esse montante passou para 74% da riqueza do país.

 propaganda PSTU
propaganda PCB


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A miséria moral de ex-esquerdistas


Opinião sobre um artigo de Emir Sader que possui um início brilhante e que você pode encontrar aqui. Eu o recebi de uma amiga via e-mail.

Os primeiros parágrafos são muito bons e não tem como ler e não associar estes comportamentos a certas pessoas ou grupos que conhecemos. Eu li e não pude deixar de pensar no maior exemplo brasileiro. Por um momento achei que ele estava se referindo ao PT principalmente quando escreve "precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi,".
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As críticas que se dirigem ao PT taxando-o de socialista ou qualquer coisa do tipo são realmente infundáveis. Mas também é infundável a razão para um socialista ainda permanecer no PT nos dias de hoje.

É inquestionável que Emir Sader seja um pensador mas suas opiniões e análises políticas são muito questionáveis. Ainda mais quando ele teima em tratar o PT do século 21 como se fosse o PT da década de 80. O PT de hoje trabalha para o bem estar justamente de Marinhos,Civitas, Frias, Mesquitas da vida. Poderíamos até acrescentar muitos outros nomes tais como Eike Batistas, José Alencares e, até mesmo, José Dirceus. As atitudes do PT e de seus políticos já deixaram muito claro que este partido não representa os trabalhadores. E, como Emir Sader bem observou, o PT precisa mostrar, o tempo todo, à direita que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi um dia.

É até irônico. O PT foi eleito devido a sua história de luta junto aos trabalhadores mas, agora que está no poder, faz questão de renegar seu passado a todo momento. E é trágico ver que entre Serra, Marina e Dilma só há diferença na aparência. A substância é a mesma, os interesses por trás deles são os mesmos.

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Primeira postagem


Olá! A idéia de criar este blog surgiu da necessidade de discutir acontecimentos históricos recentes ou não mas que são imprescindíveis para pensar o futuro do Brasil e do mundo.
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Sou estudante do Curso de História da UFSC e acredito que nenhuma incursão histórica tem sentido sem estar fundamentada em alguma necessidade presente que nos leve a estudar o passado. É da fusão entre passado e presente que o presente se torna compreensível. No entanto, o que tenho encontrado aqui na Universidade é uma grande apatia em relação ao desenvolvimento da história atual e mesmo recente. Essa apatia resulta em aulas enfadonhas onde a história é ensinada sem grandes análises como se fosse história morta ou ciência exata, sem relevância ou referência para questões atuais que pipocam a todo momento. Uma história descolada da realidade social e histórica.

Resolvi iniciar este blog para suprir minha necessidade de discussão e de outras pessoas que por ventura tenham a mesma necessidade ou que estejam simplesmente passando por aqui. Neste exato momento estamos sofrendo uma das maiores crises do capital nos últimos 100 anos e esta crise afeta cada país e cada pessoa sem exceção. Só por ser historiador já se torna importante analisar este momento, mas como historiador e indivíduo que vivencia esta crise, analisá-la se torna fundamental e necessário.
 
A análise que propomos aqui não deve se concentrar na mera descrição dos acontecimentos, mas no próprio processo que deu forma a estes “acontecimentos”. Essa análise deve partir do entendimento que a história não é um objeto ou alguma coisa fixa e sim um processo em contínuo movimento. E essa análise não deve se restringir a mera descrição, pois é necessário ir além das aparências para poder entender e explicar os processos históricos em questão.