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Por que tanto tempo sem postagens?

Olá! A minha série de reflexões em O Brasil do Futuro e a Crise do Presente ainda não está acabada, pois falta a parte que falaria sobre a situação socio-econômica da Grécia. Pra completar, é uma avaliação em constante desenvolvimento, nesses últimos dias a crise do capital tá tendo um novo pico nos países ricos mais pobres da Europa. Tanto é que ontem as principais bolsas do mundo e do Brasil terminaram em grande queda. No Brasil foi -3,43%, mas nos países latinos da Europa a queda chegou a ser até de 6%. Além disso, as mobilizações por melhores salários e condições de trabalho e contra os planos econômicos que nada mais faz que transferir as consequencias para as costas dos trabalhadores.

Também tenho em mente escrever sobre uma reportagem que li que fala sobre como seria o professor ideal. Professor ideal é aquele que formar alunos de sucesso... já da pra ter uma idéia do que se trata. Ainda defende o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação que é mais uma fabricalização da educação) e o salário baseado no índice de aprovação (número de estudantes que passam de ano).

Enfim, a razão pela qual o blog está parado por tanto tempo deve-se ao meu pc que estragou mais uma vez. A tecnologia parece também avançar no sentido de diminuir ainda mais a durabilidade dos produtos.

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Duas Cidades em uma Cidade

“Sou o monstro criado por ti
No lixão do Jaracati
Foi ali que vi minha mãe
Garimpando um rango pra mim
Foi ali que eu vi os irmãos
Todos negros com calos nas mãos
Atração pro boy que filmava
Da sacada de sua mansão
Foi ali que eu vi o contraste
Duas cidades em uma cidade
Foi ali que eu vi que nós éramos
Patrimônio da desigualdade”

O Imortal
Gíria Vermelha 


> O imortal <

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Chuva escancara desigualdade urbana


O Rio de Janeiro e cidades próximas sofreram com um temporal que durou 5h e foi o maior temporal desde 1966. Desde então a mídia vem mostrando essa tragédia através do drama daqueles que perderam suas casas ou algum familiar. A consequencia desse temporal foi o alto número de vítimas devido as enchentes, desabamentos e muita chuva.

Os locais mais afetados são os bairros pobres, favelas e morros como o Morro do Bumba (Niterói) onde se estima que 200 pessoas tenham sido soterradas. Oficialmente o número de mortos em todo o Estado do Rio de Janeiro é de 229 pessoas. Em 27 de fevereiro o Chile foi atingido por uma série de terremos e um tsunami que deixaram um rastro, aproximado, de 486 mortes. Em uma semana a chuva matou no Rio quase metade do número de mortos de um terremoto de 8.8 na escala richter.

Mas quem são os culpados? Os mais cínicos trataram de culpar deus por toda essa chuva e desastre, como fez o próprio Presidente Lula. Os mais conservadores, como a grande mídia e o Governador Sergio Cabral (PMDB), colocam a culpa na própria população pobre por morar em áreas de risco como morros e lixões. Enquanto isso um trabalhador que mora em um lixão, em um momento de desabafo, responde sem querer que “a gente não escolheu morar aqui”. A dúvida permanece. Quem é o culpado, é a natureza, deus ou os pobres?

Neste ano já aconteceram vários desastres provocados pela natureza e a precaridade como o deslizamento em Angra e a queda da Ponte do Agudo. Todo ano o Rio de Janeiro sofre com enchentes, desabamentos, desalojados e mortes e nenhuma medida foi tomada para mudar essa realidade. A natureza não é culpada pela falta de investimento público em saneamento e em precauções.

Ninguém ocupa áreas de risco por prazer. São milhões de pessoas que são forçadas a morar nestes lugares devido a miséria e ao desemprego e,principalmente, devido a sistemática exclusão da população mais pobre das áreas sem risco que são destinadas à especulação imobiliária. Não são só os números de desabrigados e de mortes que demonstram a desigualdade e o descaso público. A política econômica e “social” (tanto a nacional quanto a regional) fez com que as favelas de Niterói aumentassem 200% em 8 anos. Até o fim de 2010 a população das 1020 favelas do Rio de Janeiro atingirá 1,3 milhão, 22% maior que a 10 anos atrás.

Os culpados são os representantes do povo que tudo que fazem e pensam é em como favorecer as grandes empresas para que essas favoreçam suas contas bancárias. Os culpados são o Presidente, o Governador, o Prefeito que nada fizeram para impedir e que agora jogam a culpa no próprio pobre que já vive uma vida de martírio. A tragédia não teria tais dimensões se essas pessoas tivessem emprego e salário condizente para terem uma vida digna e uma habitação decente. Talvez nem chamaríamos de tragédia.

É muito triste que tantas pessoas tenham que morrer e sofrer para expor a desigualdade de nossa sociedade e o total descaso com a pobreza e com o trabalhador o que, diga-se de passagem, só reforça a marginalização para áreas de risco. O mínimo que a sociedade brasileira deve fazer por aqueles que morreram e que sofreram nesta tragédia é lutar para que isso não aconteça mais. O duro exemplo que a realidade do Rio de Janeiro deixou é que essa luta não será travada por quem lucra com a desigualdade. Essa transformação social depende da capacidade de luta dos próprios interessados, os trabalhadores.

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O Brasil do Futuro e a Crise do Presente 3


Enquanto a grande mídia e o Governo trabalham conjuntamente para alardear a retomada da produção, os trabalhadores estão pagando o pato. Por um lado, essa suposta recuperação está sendo feita graças as isenções fiscais e a poupuda ajuda financeira do Estado. De outro lado, os trabalhadores estão sustentando esses lucros com horas extras e o aumento do ritmo de trabalho. Em suma, inversamente proporcional a retomada da produção e ao aumento dos lucros das empresas está o salário do trabalhador e sua condição de trabalho. A política do Governo para os trabalhadores, pelo próprio Presidente Lula em março de 2009: “Mais do que fazer uma pauta de reivindicação pedindo mais aumento, temos de contribuir para as empresas venderem mais”. Não lute por aumento, aceite rebaixamento. Não economize, fique endividado.

Isto fica claro com os dados do IBGE que mostram que o emprego no setor industrial reduziu 5,3% e o salário nominal caiu 2,8% no ano de 2009. No último trimestre do ano de 2009, a produção aumentou 5,8%, mas as horas pagas no setor foram 3,7% menores que no mesmo período de 2008. Para se ter uma idéia da crise na vida de um trabalhador: foram 1.483.673 demitidos em dezembro de 2009 enquanto no mesmo mês de 2008 foram 1.542.245 demitidos (segundo Cadastro Geral de Empregos e Desempregos). E ainda dizem que a crise já passou! Essa é a realidade da 8ª maior economia do mundo que ao mesmo tempo é o país mais desigual de todo o continente americano.

Para que empresários, latifundiários e banqueiros (nacionais ou estrangeiros) não fossem à falência e continuassem lucrando tanto quanto antes, o Governo Lula promoveu todo tipo de ajuda. Desde isenções de impostos até transferência direta de dinheiro e ainda apoiou as milhares de demissões de trabalhadores e acordos rebaixados que diminuíam o salário e aumentavam a já alta sobre-carga de trabalho. Assim como pinturas antigas ilustravam o nobre montado na plebe, hoje essa pintura teria de mostrar o burguês montado no trabalhador. O que efetivamente aumentou foi a dívida/dependência do Brasil, o desemprego, a desigualdade e a exploração.

Mas aonde isso leva? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las (Manifesto Comunista).