O Rio de Janeiro e cidades próximas sofreram com um temporal que durou 5h e foi o maior temporal desde 1966. Desde então a mídia vem mostrando essa tragédia através do drama daqueles que perderam suas casas ou algum familiar. A consequencia desse temporal foi o alto número de vítimas devido as enchentes, desabamentos e muita chuva.
Os locais mais afetados são os bairros pobres, favelas e morros como o Morro do Bumba (Niterói) onde se estima que 200 pessoas tenham sido soterradas. Oficialmente o número de mortos em todo o Estado do Rio de Janeiro é de 229 pessoas. Em 27 de fevereiro o Chile foi atingido por uma série de terremos e um tsunami que deixaram um rastro, aproximado, de 486 mortes. Em uma semana a chuva matou no Rio quase metade do número de mortos de um terremoto de 8.8 na escala richter.
Mas quem são os culpados? Os mais cínicos trataram de culpar deus por toda essa chuva e desastre, como fez o próprio Presidente Lula. Os mais conservadores, como a grande mídia e o Governador Sergio Cabral (PMDB), colocam a culpa na própria população pobre por morar em áreas de risco como morros e lixões. Enquanto isso um trabalhador que mora em um lixão, em um momento de desabafo, responde sem querer que “a gente não escolheu morar aqui”. A dúvida permanece. Quem é o culpado, é a natureza, deus ou os pobres?
Neste ano já aconteceram vários desastres provocados pela natureza e a precaridade como o deslizamento em Angra e a queda da Ponte do Agudo. Todo ano o Rio de Janeiro sofre com enchentes, desabamentos, desalojados e mortes e nenhuma medida foi tomada para mudar essa realidade. A natureza não é culpada pela falta de investimento público em saneamento e em precauções.
Ninguém ocupa áreas de risco por prazer. São milhões de pessoas que são forçadas a morar nestes lugares devido a miséria e ao desemprego e,principalmente, devido a sistemática exclusão da população mais pobre das áreas sem risco que são destinadas à especulação imobiliária. Não são só os números de desabrigados e de mortes que demonstram a desigualdade e o descaso público. A política econômica e “social” (tanto a nacional quanto a regional) fez com que as favelas de Niterói aumentassem 200% em 8 anos. Até o fim de 2010 a população das 1020 favelas do Rio de Janeiro atingirá 1,3 milhão, 22% maior que a 10 anos atrás.
Os culpados são os representantes do povo que tudo que fazem e pensam é em como favorecer as grandes empresas para que essas favoreçam suas contas bancárias. Os culpados são o Presidente, o Governador, o Prefeito que nada fizeram para impedir e que agora jogam a culpa no próprio pobre que já vive uma vida de martírio. A tragédia não teria tais dimensões se essas pessoas tivessem emprego e salário condizente para terem uma vida digna e uma habitação decente. Talvez nem chamaríamos de tragédia.
É muito triste que tantas pessoas tenham que morrer e sofrer para expor a desigualdade de nossa sociedade e o total descaso com a pobreza e com o trabalhador o que, diga-se de passagem, só reforça a marginalização para áreas de risco. O mínimo que a sociedade brasileira deve fazer por aqueles que morreram e que sofreram nesta tragédia é lutar para que isso não aconteça mais. O duro exemplo que a realidade do Rio de Janeiro deixou é que essa luta não será travada por quem lucra com a desigualdade. Essa transformação social depende da capacidade de luta dos próprios interessados, os trabalhadores.

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