O Brasil do Futuro e a Crise do Presente 3


Enquanto a grande mídia e o Governo trabalham conjuntamente para alardear a retomada da produção, os trabalhadores estão pagando o pato. Por um lado, essa suposta recuperação está sendo feita graças as isenções fiscais e a poupuda ajuda financeira do Estado. De outro lado, os trabalhadores estão sustentando esses lucros com horas extras e o aumento do ritmo de trabalho. Em suma, inversamente proporcional a retomada da produção e ao aumento dos lucros das empresas está o salário do trabalhador e sua condição de trabalho. A política do Governo para os trabalhadores, pelo próprio Presidente Lula em março de 2009: “Mais do que fazer uma pauta de reivindicação pedindo mais aumento, temos de contribuir para as empresas venderem mais”. Não lute por aumento, aceite rebaixamento. Não economize, fique endividado.

Isto fica claro com os dados do IBGE que mostram que o emprego no setor industrial reduziu 5,3% e o salário nominal caiu 2,8% no ano de 2009. No último trimestre do ano de 2009, a produção aumentou 5,8%, mas as horas pagas no setor foram 3,7% menores que no mesmo período de 2008. Para se ter uma idéia da crise na vida de um trabalhador: foram 1.483.673 demitidos em dezembro de 2009 enquanto no mesmo mês de 2008 foram 1.542.245 demitidos (segundo Cadastro Geral de Empregos e Desempregos). E ainda dizem que a crise já passou! Essa é a realidade da 8ª maior economia do mundo que ao mesmo tempo é o país mais desigual de todo o continente americano.

Para que empresários, latifundiários e banqueiros (nacionais ou estrangeiros) não fossem à falência e continuassem lucrando tanto quanto antes, o Governo Lula promoveu todo tipo de ajuda. Desde isenções de impostos até transferência direta de dinheiro e ainda apoiou as milhares de demissões de trabalhadores e acordos rebaixados que diminuíam o salário e aumentavam a já alta sobre-carga de trabalho. Assim como pinturas antigas ilustravam o nobre montado na plebe, hoje essa pintura teria de mostrar o burguês montado no trabalhador. O que efetivamente aumentou foi a dívida/dependência do Brasil, o desemprego, a desigualdade e a exploração.

Mas aonde isso leva? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las (Manifesto Comunista).
 

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