A eleição para presidente acabou. Não é mais preciso fazer promessas ao vento nem esconder os planos impopulares. De repente os problemas do país reaparecem. A mídia e o governo falam abertamente da guerra cambial, reforma da previdência, cortes no orçamento.
Isso acontece no mesmo momento em que a crise econômica internacional se aprofunda. Irlanda e Grécia estão quase quebrando. Espanha, Inglaterra e Portugal estão ameaçadas por uma profunda recessão. As medidas que estes países estão aplicando é o próprio fim do Estado de Bem Estar Social. Há quem diga que seja a latino-americanização da Europa.
Aqui, Dilma anuncia os nomes de seu governo. E o que vemos é a divisão do governo em lotes e cada cacique e partido aliado tem a sua cota. É como Michel Temer, vice da Dilma, disse em um almoço com senadores: “Estamos aqui partilhando o pão, e queremos partilhar com vocês o próximo governo”. Os nomes que forma o futuro governo Dilma são a clara afirmação do compromisso de manter a essência da política econômica do governo Lula e o alinhamento à política internacional de fazerem os trabalhadores pagarem pela crise dos ricos. Significa mais ataques aos direitos da classe trabalhadora e do povo pobre.
Isso se manifesta na fala do atual e futuro Ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao dizer que o orçamento da União em 2011 já começará com um corte de 20 bilhões de reais para pagar os juros da dívida pública e engordar os banqueiros nacionais e internacionais. É claro que essa grana vai sair das áreas de sempre como saúde e educação. Para pagar a dívida com a agiotagem internacional o governo vai aumentar a dívida que o Estado tem na educação para com a população brasileira. Isso significa que ano que vem a universidade e escolas públicas sofrerão ataques ainda maiores o que se traduz em uma educação mais precária e mais privatizada.
Prova disso é o anúncio de medidas parecidas com as que se vê na União Européia. Congelamento de salários dos servidores federais, ajuste fiscal, a intenção de flexibilizar os direitos trabalhistas e de facilitar as demissões.
O futuro Ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, já afirmou que “problema grave mesmo é o déficit da previdência”. Isso é mentira deslavada. Não existe rombo, existe é roubo! Todo ano desviam verbas da previdência social para outros fins como para o superávit primário ou simplesmente roubam descaradamente. O que querem é colocar as mãos em mais dinheiro público e fazer os trabalhadores trabalharem por mais tempo e receberem menos aposentadoria. A previdência social não é deficitária e é o maior e principal programa de distribuição de renda do Brasil.
Infelizmente, essas políticas todas mostram que o governo Dilma vai seguir priorizando os interesses dos grandes empresários e banqueiros. Não é à toa que o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, falou publicamente que "o gov. Dilma será um governo amigável com a iniciativa privada e o empreendedorismo."
É por causa desses ataques e o exemplo das manifestações que se vê na Europa que várias entidades do movimento sindical e popular fizeram uma reunião no dia 25/11. Entidades como CSP-Conlutas, FST, MTL, COBAP, MTST, Intersindical e muitas outras aprovaram a construção de uma jornada de mobilizações para a primeira metade de 2011 com o objetivo de defender os direitos dos trabalhadores e do povo pobre. E já tem nova reunião marcada para organizar isso: 27/01/11 em Brasília.