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Gov Dilma e a classe trabalhadora



A eleição para presidente acabou. Não é mais preciso fazer promessas ao vento nem esconder os planos impopulares. De repente os problemas do país reaparecem. A mídia e o governo falam abertamente da guerra cambial, reforma da previdência, cortes no orçamento.

Isso acontece no mesmo momento em que a crise econômica internacional se aprofunda. Irlanda e Grécia estão quase quebrando. Espanha, Inglaterra e Portugal estão ameaçadas por uma profunda recessão. As medidas que estes países estão aplicando é o próprio fim do Estado de Bem Estar Social. Há quem diga que seja a latino-americanização da Europa.

Aqui, Dilma anuncia os nomes de seu governo. E o que vemos é a divisão do governo em lotes e cada cacique e partido aliado tem a sua cota. É como Michel Temer, vice da Dilma, disse em um almoço com senadores: “Estamos aqui partilhando o pão, e queremos partilhar com vocês o próximo governo”. Os nomes que forma o futuro governo Dilma são a clara afirmação do compromisso de manter a essência da política econômica do governo Lula e o alinhamento à política internacional de fazerem os trabalhadores pagarem pela crise dos ricos. Significa mais ataques aos direitos da classe trabalhadora e do povo pobre.

Isso se manifesta na fala do atual e futuro Ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao dizer que o orçamento da União em 2011 já começará com um corte de 20 bilhões de reais para pagar os juros da dívida pública e engordar os banqueiros nacionais e internacionais. É claro que essa grana vai sair das áreas de sempre como saúde e educação. Para pagar a dívida com a agiotagem internacional o governo vai aumentar a dívida que o Estado tem na educação para com a população brasileira. Isso significa que ano que vem a universidade e escolas públicas sofrerão ataques ainda maiores o que se traduz em uma educação mais precária e mais privatizada.

Prova disso é o anúncio de medidas parecidas com as que se vê na União Européia. Congelamento de salários dos servidores federais, ajuste fiscal, a intenção de flexibilizar os direitos trabalhistas e de facilitar as demissões.

O futuro Ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, já afirmou que “problema grave mesmo é o déficit da previdência”. Isso é mentira deslavada. Não existe rombo, existe é roubo! Todo ano desviam verbas da previdência social para outros fins como para o superávit primário ou simplesmente roubam descaradamente. O que querem é colocar as mãos em mais dinheiro público e fazer os trabalhadores trabalharem por mais tempo e receberem menos aposentadoria. A previdência social não é deficitária e é o maior e principal programa de distribuição de renda do Brasil.

Infelizmente, essas políticas todas mostram que o governo Dilma vai seguir priorizando os interesses dos grandes empresários e banqueiros. Não é à toa que o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, falou publicamente que "o gov. Dilma será um governo amigável com a iniciativa privada e o empreendedorismo."

É por causa desses ataques e o exemplo das manifestações que se vê na Europa que várias entidades do movimento sindical e popular fizeram uma reunião no dia 25/11. Entidades como CSP-Conlutas, FST, MTL, COBAP, MTST, Intersindical e muitas outras aprovaram a construção de uma jornada de mobilizações para a primeira metade de 2011 com o objetivo de defender os direitos dos trabalhadores e do povo pobre. E já tem nova reunião marcada para organizar isso: 27/01/11 em Brasília.

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novo enem = democratização?



Protesto em São Paulo
O novo Enem foi criado com o mote "democratização do ensino" só que de lá pra cá veio aprofundando as desigualdades existentes no vestibular tradicional porque, se antes essas desigualdades já eram estabelecidas entre aqueles que podem pagar um cursinho e aqueles que não podem, agora a desigualdade se estende para as diferenças regionais. 

E isso fica muito claro quando vemos que a nota geral dos estudantes que cursaram o ensino médio particular no sudeste é 70,55 e a nota média dos estudantes que cursaram o ensino médio público no nordeste é de 44,93.

Só com o livre acesso às universidades públicas poderemos falar em um verdadeiro “fim do vestibular”. Da mesma forma que os estudantes ao concluírem o ensino fundamental têm o direito imediato a cursar o ensino médio, os que concluem o ensino médio deveriam ter o direito de se matricular imediatamente em um curso de graduação.
Protesto no Rio

É a escassez de verbas e vagas que nos condena a brutal competição. A atual política de educação no Brasil continuou e agravou os problemas e isso expressou uma queda de 20 posições no ranking idh-educação da ONU  (de 73 para 93) e agora o nosso país se encontra abaixo de países muiiiito pobres como Bostwana. 

Pra isso mudar basta tratar a educação como prioridade e não como enfeite de campanha ou mercadoria. O Brasil é a 8 maior economia do mundo e pode oferecer ensino público básico e superior de qualidade para todos os seus jovens. Não há porque esperar menos!

Recomendo a todos darem uma passadinha nesses links pois tem material bem legal:


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O mito do Brasil do Futuro

Começamos este ano com um monte de declarações na mídia e do próprio governo sobre como é grande o potencial brasileiro que chegou emprestar dinheiro pro FMI, achou o petróleo do pré-sal e que, como prova dessa futuro maravilhoso, vai sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Esse é o famoso mito do país do futuro que é cantarolado aqui nas nossas terras há pelo menos um século.

Esse Brasil do qual eles falam é um país imaginário ou, pelo menos, é o Brasil deles! A realidade que a imensa maioria dos brasileiros têm vivido, dia após dia, nos últimos 20 anos não é colorida. Esse discurso ufanista fala do Brasil 8ª economia do mundo, mas o povo vive o Brasil do 3º lugar no ranking dos países mais desiguais do mundo (ranking da ONU).

O mito do país do futuro pertence ao Brasil dos banqueiros que na crise econômica mundial chegaram a falir ou perto da falência. Mas o Brasil deles é bondoso e ágil e em poucas semanas deslocou bilhões e bilhões de reais para salvá-los da falência. Agora, quando uma calamidade atinge a população trabalhadora e pobre mata centenas de pessoas e desaloja muitas famílias. Aí o presidente fala: só resta rezar para deus. Foi isso que aconteceu no Rio de Janeiro no início do ano. A pergunta que fica é por que não falou isso para os banqueiros? Ou por que não usou centenas de bilhões de reais propiciando melhores condições de vida, melhores condições de moradia, e emprego, educação e saúde? Com certeza a tragédia não teria tais dimensões ou quem sabe nem teria acontecido uma tragédia.

O Brasil do futuro deles é construído com o nosso Brasil da pobreza, da desigualdade, da corrupção, do desemprego.

Veja só. O gov. Lula destinou mais de 475 bilhões de reais para salvar as grandes empresas. O mesmo aconteceu nos outros países. No total foram 24 trilhões de dólares no mundo todo para salvar grandes empresas e bancos. Esse salvamento limpou os cofres públicos, endividou ainda mais os países e alimentou a famosa “bolha financeira”.

É claro que alguém tem que pagar por essa conta. Um exemplo de quem vai pagar já foi dado na Grécia, Itália, Espanha, Portugal, França (e outros países europeus) que, orientados pelo FMI, estão promovendo o empobrecimento de suas populações tirando direitos trabalhistas, diminuindo salários e cortando fortemente o orçamento dedicado às políticas sociais. Há quem diga que estão promovendo a “latino americanização” da Europa.

Felizmente os trabalhadores desses países não estão aceitando esses absurdos de cabeça baixa e estão enfrentando suas elites com fortes greves e protestos massivos como na Grécia e França. Suas lutas continuam vivas como demonstrou os protestos recentes na frança.

O Brasil também saiu mais endividado desta crise e, claro, mais dependente. Para se ter uma ideia, as multinacionais controlam diretamente 49% das empresas no Brasil (de forma indireta controlam muito mais). Outro exemplo de nossa dependência político e econômica é a dívida pública de nosso país. No início de 2003 era de aproximadamente 650 bilhões de reais e vai terminar o ano de 2010 em aproximadamente 2 trilhões de reais. Entre 2003-2009 o Brasil pagou 2 trilhões de reais só em juros para rolar a dívida. Ou seja, pagou em juros o mesmo valor da dívida. Os donos dos papéis da dívida, que lucram com essa sangria, são empresas e bancos e são multinacionais em sua maioria.

São as grandes empresas que decidem para onde vai a riqueza nacional. É por isso que o crescimento econômico não significa igual melhora da vida dos brasileiros. Por exemplo: o lucro das grandes empresas cresceu em 400%, porém, no mesmo período, o salário mínimo aumentou apenas 54%. Este é o Brasil, terceiro lugar no ranking dos mais desiguais!

O discurso de país do futuro que partidos tradicionais como PT, PSDB e PV estão usando é pura fantasia para vender ilusões assim como uma lotérica vende a ilusão de ascensão social em cada bilhete de loteria. Uma real mudança nas condições de vida dos trabalhadores brasileiros passa por uma transformação radical do país.

Para acabar com o Brasil do desemprego, da corrupção, da desigualdade, da pobreza é preciso acabar justamente com a causa desses problemas. Toda a riqueza produzida no Brasil (o famoso PIB) é produzida por um grande número de pessoas e, em última escala, por todos os trabalhadores do país. Se é produzido por todos então é uma riqueza social. Não há explicação para que os patrões se adonem do fruto do trabalho de todos a não ser a manutenção dos históricos problemas que afligem e martirizam os trabalhadores brasileiros e que são responsáveis pela exclusão e marginalização de boa parte da população.

Só é possível acabar com os males de nossa sociedade atual usando a riqueza produzida pelos trabalhadores brasileiros para fins sociais e de forma democrática. Só a classe trabalhadora pode mudar o Brasil, e pode fazer isso através de uma revolução social que estatize as empresas, terras e bancos e coloque o trabalhador no comando de cada uma delas e no comando da nação.





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Que Marina o quê!!!

Semana passada enviaram uns emails na lista do centro acadêmico do meu curso usando o e-mail proprietário. O teor era apologia a Marina Silva do PV. Ainda hoje não se sabe quem usou do privilégio de ter acesso ao e-mail proprietário para fazer isso. Tratei de responder o email:


Em primeiro lugar, não se deve usar do privilégio de ter acesso ao email proprietário da lista para enviar este tipo de email. Assuma que defende marina e envie com o próprio email.

Em segundo, serei curto pois tenho que sair daqui a pouco. Quem escreveu esse texto em apologia a Marina (PV) esqueceu de dizer que o PV tbm é governo pois faz parte da base de sustentaçãod o governo Lula. Inclusive ganhou ministério no esquemão do toma lá dá cá. Também esqueceu que a Marina foi ministra do Lula e esqueceu que ela era ministra do meio-ambiente. Quem escreveu omitiu deslavadamente que os transgênicos, a transposição do rio são francisco, a privatização da amazônia através de concessões de terra são todas medidas pautadas pelo lucro e não pela ecologia. Pra terminar, o vice dela é dono da Natura que sfore váriso processos por biopirataria. Grande ecologia... Além disso a Natura não tem trabalahdor, ela tem colaborador o que faz com que os "colaboradores" não tenham direitos trabalhistas.

Além disso, Marina já falou mais de uma vez que vai continuar o modelo econômico dos últimos 16 anos.  Ora, uma das medidas mais imeditatas é o fim das políticas econômicas neoliberais que ampliam o saque às riquezas dos recursos naturais dos países mais pobres. Mas é claro que qualquer luta contra a devastação ambiental, ou que exija a criação de leis de proteção, vai contra as leis de mercado e se choca diretamente com os governos. Por isso, essa luta deve se articular com as demandas da classe trabalhadora e suas organizações, que constituem a força fundamental para qualquer transformação radical da sociedade.


O que a natureza precisa é de uma ecologia socialista. É de eco-socialismo!

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Até a Burguesia começa admitir que crise continua viva e forte

A crise econômica internacional não terminou. Os últimos meses mostraram uma relativa recuperação, mas ela não é sustentável e novos sinais de queda já começam a aparecer. Não é mais um artigo catastrofista de esquerda prevendo mais um fim do capitalismo. É, antes, a percepção cada vez mais forte do mercado financeiro sobre o futuro da economia.

Isso se reforçou com os últimos indicadores mostrando uma desaceleração no mercado de trabalho nos Estados Unidos, assim como a queda no ritmo da recuperação econômica da Ásia e o aprofundamento da crise na Europa. A recente reunião do G20 e a polêmica colocada: a necessidade de estímulos fiscais versus plano de ajustes, mostram que a crise está longe do fim, chega a um impasse e mostra sinais de recaída para o futuro próximo. 

Futuro incerto
Nos Estados Unidos entre maio e junho foram criados 13 mil empregos quando eram esperados pelo menos 50 mil. Em contrapartida, 125 mil postos foram extintos. Já o mercado imobiliário se retrai à medida que o governo extingue sua política de estímulo. Os últimos 12 meses de acelerado crescimento refletiu no país a reposição dos estoques, vazios durante o período mais agudo da crise. O ritmo agora tende a diminuir, e o fim dos estímulos vai aprofundar essa desaceleração num momento em que a economia não consegue andar com as próprias pernas, colocando a perspectiva de uma nova recessão.

Já na Europa, cujo índice de desemprego na zona do Euro chega a 10%, os planos de ajustes vão aprofundar ainda mais a crise social que já explode em países como Grécia e Espanha. A Alemanha, maior economia e motor da União Europeia, detalhou seu plano de cortes nesse dia 5 de junho. O governo de Angela Merkel vai cortar o equivalente a R$ 171 bilhões em quatro anos, em uma série de medidas que inclui a demissão de 15 mil servidores públicos.

Tal cenário fez com que o prêmio Nobel de Economia e colunista do New Iork Times, Paul Krugman previsse uma nova fase recessiva e, mais que isso, uma nova depressão equivalente a 1929. Na verdade, o economista compara a atual crise à “longa depressão” de 1873, um período marcado por fortes instabilidades e recaídas. Para o colunista, essa terceira depressão do capitalismo vai ser o resultado da política econômica recessiva imposta pelos governos, que custará algo como “10 milhões de empregos”.

Krugman vem causando controvérsias com suas previsões consideradas catastrofistas. Os defensores dos planos de ajustes argumentam que o equilíbrio das contas públicas vai automaticamente gerar “confiança” nos mercados e ajudar a impulsionar novamente a economia. A realidade, porém, é que uma nova recessão, ou melhor, uma nova fase da crise está cada vez mais clara no horizonte.

E o Brasil?
Como ficou mais do que claro no final de 2008, o Brasil não é uma ilha. Se o país conseguiu evitar uma longa recessão através de pesados subsídios fiscais a bancos e empresas, ajudou para isso a rápida recuperação da demanda da China por minérios e demais commodities a volta do crédito.

O que está ficando mais certo, porém, é que o país não contará com as mesmas condições externas que tornaram possível o crescimento econômico dos últimos anos, apesar da política neoliberal. A demanda por commodities diminuirá, assim como o crédito e os investimentos diretos que, nos últimos meses, cobriram o déficit em conta corrente (prejuízo do que saiu e entrou no país).

Uma nova crise se desenha para o futuro e o país não terá as condições que o possibilitaram a retomar o crescimento. E também não terá Lula, ou seja, ficará mais difícil conter o movimento de massas na hora de impor planos de ajuste fiscal e reformas. 

Extraído do sítio do PSTU

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Uma breve reclamação sobre escolas e universdades

A Universidade

Em regra, o ensino nas universidades deixam muito a desejar o que acaba por propiciar uma formação limitada quanto ao objetivo da própria instituição. As razões disso são sociais e o agente dessa desigualdade é o Estado que tem por histórico sempre atentar contra o ensino público e isso se reflete em falta de materiais, estrutura, professores e etc. Outro problema é o teor conservador que domina academia nas universidades tornando quase impossível ter uma aula que se prese ser contestatória da sociedade causando reflexões interessantes (quantos professores ativistas pudemos encontrar durante nossa vida escolar e acadêmica?). E, o mais importante, nos ensinando a ser conservadores também. É até por isso que eu costumo dizer que não aprendi muito na Universidade, pois minhas reflexões e posições partem da contestação e isso eu não aprendi na minha vida acadêmica.

A Escola

A escola não é muito diferente da universidade uma vez que ambas sofrem dos mesmos problemas e uma vez que ambas servem para formar indivíduos passivos com o conhecimento estritamente necessário para exercer alguma profissão. A grande diferença é que a universidade possui uma formação mais especializada e que alguns desses felizardos passivos cumprirão a função de dar continuidade na elaboração acadêmica para legitimação do status quo (da atual ordem das coisas). Ou seja, de forma bem grossa, a principal função que a escola tem do ponto de vista da classe social dominante e, consequentemente, do Estado é a de adestrar os estudantes formando trabalhadores obedientes. Obviamente haverá quem diga que isso não é verdade. De todo jeito, toda forma diferente desta regra exposta aqui costuma ser taxada de resistência e a razão disso reside na resposta da pergunta “quem determina a função da escola?”. Ora, mas para que ir para escola e para universidade se é assim? É inegável a importância desses ambientes de ensino na formação do indivíduo, porém, no presente momento, depende do estudante e do professor subverterem a ordem para que saiam indivíduos críticos desses ambientes.

Claro que estes não são os únicos problemas e que estes problemas são consequências de outros. As escolas e as universidades estão nada mais nada menos que refletindo a própria realidade brasileira, pois a triste realidade do nosso sistema educacional é simplesmente o reflexo dessa sociedade onde até mesmo a educação é um produto e é  regida pela lógica do lucro. É por isso que para revolucionar a educação é necessário revolucionar a sociedade.

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Aldo Rebelo (PCdoB) por Kátia Abreu (DEM)

"O Aldo é um exemplo muito interessante para o Brasil (...) A gente se entende não é de agora. Gosto de repetir que, se não fosse o Aldo Rebelo, ainda não teríamos transgênico funcionando no Brasil"

Senadora Kátia Abreu (DEM-TO)

O deputado sequer faz questão de manter algum cuidado para esconder sua relação com os ruralistas. Uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo mostra que o relatório de Aldo Rebelo foi elaborado com a participação de uma consultora jurídica do agronegócio. Segundo o jornal, a advogada Samanta Piñeda recebeu R$ 10 mil pela consultoria, pagos com dinheiro da verba indenizatória de Rebelo e do presidente da comissão especial, Moacir Micheletto (PMDB-PR). Samanta Piñeda é consultora jurídica da frente parlamentar da agropecuária.

Os ruralistas são gratos a Aldo Rebelo. Toda sua generosidade poderá ser vista após as eleições outubro, numa consulta no site do TRE onde se poderá ver quem financiou a campanha do deputado do PCdoB.

Trecho estraído do sítio do PSTU.

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Uma resposta à Aldo Rabelo

Dia desses assinei um daqueles e-mails que o greenpeace está toda hora divulgando para conseguir mais assinaturas. O destinatário era o deputado Aldo Rabelo. A surpresa foi que veio uma resposta dele para mim

(claro, uma resposta padrão e eu fui um dos muitos que a recebeu) e isso me instigou a escrever esta resposta para ele:


Li com atenção sua resposta. Julgo poder fazer certas considerações quanto ao que foi pautado.

As modificações pretensas no código florestal devem-se a pressão de grandes empresas e bancos que, muitas vezes, são estrangeiros. Conhece o código ambiental aprovado ano passado na assembléia de SC? Usaram os pequenos agricultores como massa de manobra para aprovarem mudanças na lei, permitindo uma maior devastação da natureza (código ambiental?), visando o interesse dos grandes agricultores e das grandes empresas (estrangeiras ou não). O mesmo se deu com a mp 422 que legalizou a grilagem de terra. Sem contar a permissão de concessão de terras na amazônia para interesses privados. E os transgênicos? 


Todas essas medidas, inclusa a "flexibilização" do código ambiental e da lei de crimes ambientais, atentam contra a soberania do brasil e dos brasileiros e correspondem aos interesses dos países ricos (os quais o senhor citou) e da classe dominante brasileira que vive de gerenciar negócios estrangeiros.

A roupa nacionalista que senhor veste ao acusar ingerência externa do greenpeace (sede holanda) e de defender a agricultura e pecuária contra os interesses dos países ricos cai por terra ao ver os próprios finaciadores de sua campanha - a roupa socialista cai igualmente, mais uma vez. Dentre os financiadores encontramos empresas estrangeiras (multinacionais) e empresas  brasileiras com capital estrangeiro além de empresas que construíram sua história devastando o meio ambiente. 


Entre os financiadores podemos destacar  a votorantim, camargo corrêa, csn e caemi mineração (grupo vale), somando tudo da 50% dos fundos da campanha que o elegeu. Essa política de um peso e duas medidas desmascara a roupagem nacionalista e expõe verdadeira camisa que o senhor defende.


A carta do Aldo Rabelo:




Saudações!



Recebi uma carta em seu nome produzida pela organização holandesa
 Greenpeace, cujo conteúdo não esclarece as razões pelas quais a Câmara
 dos Deputados constituiu uma Comissão Especial destinada a oferecer 
parecer sobre as diversas propostas de alteração da legislação 
florestal brasileira.

A carta do Greenpeace mente e manipula 
informações, confundindo pessoas que não acompanham o debate sobre o 
assunto.



O primeiro esclarecimento é que a Comissão, longe de querer alterar o
 Código Florestal, tenta apenas corrigir alterações por ele sofridas e 
que tornaram inaplicáveis os dispositivos modificados, a maioria deles 
por medida provisória, portarias e resoluções que nunca foram 
discutidas nem pelo Congresso ou pela sociedade brasileira.



O Código Florestal brasileiro, embora datado de 1965, é uma lei boa e 
defensável, alterada por interesses contrários aos objetivos do Brasil
e do povo brasileiro a partir da pressão de ONGs como a holandesa 
Greenpeace - e outras com sede no exterior - cujas agendas nada têm a 
ver com aquilo que interessa ao Brasil.


As propostas de alteração da legislação têm origem diversa: desde as 
apresentadas por deputados ligados à agricultura familiar, 
seringueiros da Amazônia ou da grande agricultura prejudicada pela 
concorrência desleal dos países ricos, que subsidiam seus agricultores
 e financiam suas ONGs para atuar no Brasil.


O Brasil possui mais de 5 milhões de proprietário agrícolas, em imensa 
maioria de pequenos e médios produtores, 90% deles na ilegalidade por
 não conseguirem cumprir a lei em vigor. Hoje, até a prática indígena
de fermentar a raiz da mandioca em um igarapé ou o prosaico costume de
retirar uma minhoca na beira do rio para uma pescaria tornou-se 
atividade ilegal.
Pela lei, 75% da produção do arroz em várzea 
tornou-se proibida, a plantação de bananas no Vale do Ribeira
 encontra-se na mesma situação e os ribeirinhos do Amazonas, 
impossibilitados de sobreviver porque vivem e tiram seu sustento em 
áreas vedadas pela legislação atual.

Diante de tal situação, fui indicado relator em um acordo
 suprapartidário envolvendo todos os integrantes da Comissão, de todos
 os partidos, com exceção do PSOL e do PV. Organizamos audiências 
públicas em 19 Estados, ouvimos mais de 300 pessoas - representantes
 de ONGs, órgãos ambientais, universidades, Embrapa, produtores, entre 
outros. ONGs como a multinacional holandesa Greenpeace, ou as 
brasileiras SOS Mata Atlântica e Instituto Socioambiental (ISA) foram
 ouvidas mais de uma vez, além de dezenas de outras ONGs nacionais, 
estaduais e municipais.



Confesso que fiquei estarrecido com o que vi por todo o Brasil.
 Pequenos agricultores vendendo suas propriedades ou trocando-as por um 
carro usado ou um barraco na periferia das cidades em razão de não
 terem mais acesso ao crédito da agricultura familiar por não 
conseguirem cumprir a lei.

No Mato Grosso, por exemplo, no município
 de Querência, 1.920 pequenos agricultores assentados do INCRA estão 
sem crédito, sem estradas para levarem seus filhos às escolas,
 enquanto em um outro  município próximo, 4 mil pequenos agricultores,
 também assentados, encontram-se na mesma situação.

Que crime
 cometeram? Simplesmente ocuparam 80% de suas propriedades deixando 20% 
de reserva florestal, cumprindo a lei.

Quando a lei foi alterada
 recentemente e passou a exigir 80% de reserva, obrigou o agricultor a 
reflorestar aquilo que a lei anterior autorizara a usar para a 
agricultura. Acontece que a despesa com reflorestamento torna-se maior
 que o valor da propriedade, depreciado pela situação de ilegalidade.

Na comunidade do Flexal, na reserva indígena Raposa-Serra do Sol, as 
autoridades apreenderam os instrumentos usados pelos índios para 
fermentar (pubar) a raiz da mandioca por causa da liberação do ácido 
cianídrico.



Poderia ampliar indefinidamente os exemplos de abusos e absurdos
 contra a agricultura e os agricultores (pequenos, médios e grandes), o 
que prometo fazer em mensagens seguintes.
Por enquanto desejo apenas
 reafirmar o meu compromisso com o meio ambiente e com o ideal de um 
País que construiu a sua história, preservando a natureza.
A título de 
exemplo, enquanto o Estado do Amazonas dispõe de 98% do seu território
 coberto por vegetação nativa, a Holanda do Greenpeace não chega a 
0,3%, o que a ONG batava considera mais do que o suficiente, já que
 não consta de sua plataforma, em seu país de origem, qualquer 
reivindicação de reserva legal ou área de preservação permanente.

Em 
mensagens próximas, falarei do verdadeiro interesse dessa ONG, que 
concentra todos o seus esforços em cercar a Amazônia brasileira, pouco
 ligando para desastres ambientais urbanos que atingem milhões de 
brasileiros.

De qualquer forma, o conteúdo do debate sobre o Código
 Florestal você pode encontrar no seguinte endereço:
 http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/pl187699


Como último esclarecimento, ao contrário do que insinua a ONG 
holandesa, nunca integrei a bancada da agropecuária, chamada 
ruralista, embora deputados do meu partido e de outros partidos de 
esquerda a integrem como parte do esforço de defender a agricultura e 
a pecuária do Brasil contra os interesses dos países ricos.


Atenciosamente,


Aldo Rebelo
Deputado Federal PCdoB-SP

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Por que tanto tempo sem postagens?

Olá! A minha série de reflexões em O Brasil do Futuro e a Crise do Presente ainda não está acabada, pois falta a parte que falaria sobre a situação socio-econômica da Grécia. Pra completar, é uma avaliação em constante desenvolvimento, nesses últimos dias a crise do capital tá tendo um novo pico nos países ricos mais pobres da Europa. Tanto é que ontem as principais bolsas do mundo e do Brasil terminaram em grande queda. No Brasil foi -3,43%, mas nos países latinos da Europa a queda chegou a ser até de 6%. Além disso, as mobilizações por melhores salários e condições de trabalho e contra os planos econômicos que nada mais faz que transferir as consequencias para as costas dos trabalhadores.

Também tenho em mente escrever sobre uma reportagem que li que fala sobre como seria o professor ideal. Professor ideal é aquele que formar alunos de sucesso... já da pra ter uma idéia do que se trata. Ainda defende o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação que é mais uma fabricalização da educação) e o salário baseado no índice de aprovação (número de estudantes que passam de ano).

Enfim, a razão pela qual o blog está parado por tanto tempo deve-se ao meu pc que estragou mais uma vez. A tecnologia parece também avançar no sentido de diminuir ainda mais a durabilidade dos produtos.

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Duas Cidades em uma Cidade

“Sou o monstro criado por ti
No lixão do Jaracati
Foi ali que vi minha mãe
Garimpando um rango pra mim
Foi ali que eu vi os irmãos
Todos negros com calos nas mãos
Atração pro boy que filmava
Da sacada de sua mansão
Foi ali que eu vi o contraste
Duas cidades em uma cidade
Foi ali que eu vi que nós éramos
Patrimônio da desigualdade”

O Imortal
Gíria Vermelha 


> O imortal <

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Chuva escancara desigualdade urbana


O Rio de Janeiro e cidades próximas sofreram com um temporal que durou 5h e foi o maior temporal desde 1966. Desde então a mídia vem mostrando essa tragédia através do drama daqueles que perderam suas casas ou algum familiar. A consequencia desse temporal foi o alto número de vítimas devido as enchentes, desabamentos e muita chuva.

Os locais mais afetados são os bairros pobres, favelas e morros como o Morro do Bumba (Niterói) onde se estima que 200 pessoas tenham sido soterradas. Oficialmente o número de mortos em todo o Estado do Rio de Janeiro é de 229 pessoas. Em 27 de fevereiro o Chile foi atingido por uma série de terremos e um tsunami que deixaram um rastro, aproximado, de 486 mortes. Em uma semana a chuva matou no Rio quase metade do número de mortos de um terremoto de 8.8 na escala richter.

Mas quem são os culpados? Os mais cínicos trataram de culpar deus por toda essa chuva e desastre, como fez o próprio Presidente Lula. Os mais conservadores, como a grande mídia e o Governador Sergio Cabral (PMDB), colocam a culpa na própria população pobre por morar em áreas de risco como morros e lixões. Enquanto isso um trabalhador que mora em um lixão, em um momento de desabafo, responde sem querer que “a gente não escolheu morar aqui”. A dúvida permanece. Quem é o culpado, é a natureza, deus ou os pobres?

Neste ano já aconteceram vários desastres provocados pela natureza e a precaridade como o deslizamento em Angra e a queda da Ponte do Agudo. Todo ano o Rio de Janeiro sofre com enchentes, desabamentos, desalojados e mortes e nenhuma medida foi tomada para mudar essa realidade. A natureza não é culpada pela falta de investimento público em saneamento e em precauções.

Ninguém ocupa áreas de risco por prazer. São milhões de pessoas que são forçadas a morar nestes lugares devido a miséria e ao desemprego e,principalmente, devido a sistemática exclusão da população mais pobre das áreas sem risco que são destinadas à especulação imobiliária. Não são só os números de desabrigados e de mortes que demonstram a desigualdade e o descaso público. A política econômica e “social” (tanto a nacional quanto a regional) fez com que as favelas de Niterói aumentassem 200% em 8 anos. Até o fim de 2010 a população das 1020 favelas do Rio de Janeiro atingirá 1,3 milhão, 22% maior que a 10 anos atrás.

Os culpados são os representantes do povo que tudo que fazem e pensam é em como favorecer as grandes empresas para que essas favoreçam suas contas bancárias. Os culpados são o Presidente, o Governador, o Prefeito que nada fizeram para impedir e que agora jogam a culpa no próprio pobre que já vive uma vida de martírio. A tragédia não teria tais dimensões se essas pessoas tivessem emprego e salário condizente para terem uma vida digna e uma habitação decente. Talvez nem chamaríamos de tragédia.

É muito triste que tantas pessoas tenham que morrer e sofrer para expor a desigualdade de nossa sociedade e o total descaso com a pobreza e com o trabalhador o que, diga-se de passagem, só reforça a marginalização para áreas de risco. O mínimo que a sociedade brasileira deve fazer por aqueles que morreram e que sofreram nesta tragédia é lutar para que isso não aconteça mais. O duro exemplo que a realidade do Rio de Janeiro deixou é que essa luta não será travada por quem lucra com a desigualdade. Essa transformação social depende da capacidade de luta dos próprios interessados, os trabalhadores.

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O Brasil do Futuro e a Crise do Presente 3


Enquanto a grande mídia e o Governo trabalham conjuntamente para alardear a retomada da produção, os trabalhadores estão pagando o pato. Por um lado, essa suposta recuperação está sendo feita graças as isenções fiscais e a poupuda ajuda financeira do Estado. De outro lado, os trabalhadores estão sustentando esses lucros com horas extras e o aumento do ritmo de trabalho. Em suma, inversamente proporcional a retomada da produção e ao aumento dos lucros das empresas está o salário do trabalhador e sua condição de trabalho. A política do Governo para os trabalhadores, pelo próprio Presidente Lula em março de 2009: “Mais do que fazer uma pauta de reivindicação pedindo mais aumento, temos de contribuir para as empresas venderem mais”. Não lute por aumento, aceite rebaixamento. Não economize, fique endividado.

Isto fica claro com os dados do IBGE que mostram que o emprego no setor industrial reduziu 5,3% e o salário nominal caiu 2,8% no ano de 2009. No último trimestre do ano de 2009, a produção aumentou 5,8%, mas as horas pagas no setor foram 3,7% menores que no mesmo período de 2008. Para se ter uma idéia da crise na vida de um trabalhador: foram 1.483.673 demitidos em dezembro de 2009 enquanto no mesmo mês de 2008 foram 1.542.245 demitidos (segundo Cadastro Geral de Empregos e Desempregos). E ainda dizem que a crise já passou! Essa é a realidade da 8ª maior economia do mundo que ao mesmo tempo é o país mais desigual de todo o continente americano.

Para que empresários, latifundiários e banqueiros (nacionais ou estrangeiros) não fossem à falência e continuassem lucrando tanto quanto antes, o Governo Lula promoveu todo tipo de ajuda. Desde isenções de impostos até transferência direta de dinheiro e ainda apoiou as milhares de demissões de trabalhadores e acordos rebaixados que diminuíam o salário e aumentavam a já alta sobre-carga de trabalho. Assim como pinturas antigas ilustravam o nobre montado na plebe, hoje essa pintura teria de mostrar o burguês montado no trabalhador. O que efetivamente aumentou foi a dívida/dependência do Brasil, o desemprego, a desigualdade e a exploração.

Mas aonde isso leva? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las (Manifesto Comunista).
 

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O Brasil do Futuro e a Crise do Presente 2


Fiz toda essa introdução anterior para falar do nosso Brasil que saiu mais forte que entrou na crise. Demonstrou excelente desempenho em meio tão adverso, sendo exemplar até mesmo para os EUA e UE (União Européia). Que mostrou ser um país soberano. O nosso país que terminou o ano de 2009 com o crescimento do PIB em negativo.... pera aí! Tem algo errado nesse discurso porque a realidade é que o PIB foi de -0,2%. Nos últimos 18 anos só aconteceu algo parecido em 1992, justamente no ano em que Collor sofreu impeachment.

Nos últimos 2 anos (2008 e 2009) a política do Governo tem sido a de salvar os grandes empresários e suas empresas a todo custo. Mostra disso foi a transferência direta de 370 bilhões de reais e a isenção ou redução de impostos para estas empresas. Em março de 2009 a soma de todas as ações de salvamento de ricos era de 475 bilhões de reais. Tais medidas suavizaram a crise num primeiro momento ao custo do futuro. A crise é mundial, a classe dominante também é mundial, e as medidas adotadas pelos diversos países foram parecidas e até mesmo elaboradas em conjunto. Uma primeira mostra do futuro já chegou e tem a Grécia como seu palco.

O Estado brasileiro entrou no vermelho mais de uma vez nesse curto período de 2 anos, pois o dinheiro público, fruto do trabalho de todos os brasileiros, não estava sendo usado pelo o Estado para cumprir suas responsabilidades constadas na Constituição e sim para salvar meia dúzia de magnatas. Enquanto isso a política para os trabalhadores era demissão e facilitar empréstimos aumentando ainda mais o endividamento das pessoas.

Só para se ter uma idéia, as remessas para o exterior superaram 2,8 bilhões de dólares nos últimos meses de 2008. A isenção do IPI fez com que o país deixa-se de arrecadar 2,5 bilhões de reais e contribui para as remessas de lucros para o exterior. Agora, em março, o BC (Banco Central) estima que a conta corrente (agrega balança comercial e conta de rendas e serviços) de 2010 terminará com um deficit de 49 bilhões de dólares. Isso se deve a remessas de lucros das multinacionais para suas matrizes. 

Segundo o BC, essas remessas somarão 32 bilhões de dólares no mínimo. No ano passado foi 24,3 bilhões de dólares de deficit. Além disso a dívida pública saltou de 61 bilhões de reais para 1,68 trilhão no período de 1995 -2008 e em 2008 os juros para rolar essa dívida representaram 30,5% de toda a arrecadação tributária do país (Auditoria Cidadã).

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O Brasil do Futuro e a Crise do Presente

Vou iniciar aqui uma série curta e rápida de posts sobre o Brasil atual e contra-argumentar a idéia propagada de que a Grécia esta “falida” por causa do custo do setor público e da má administração e não por causa da política liberal, da rapina econômica e da política de salvamento de grandes empresas e bancos e, por último, não por causa do próprio capitalismo. Mostrar que este pode ser o Brasil do futuro.

No séc. 20 tivemos momentos que marcaram reviravoltas tais como 1º e 2º GM (Guerra Mundial), a crise de 1929, a revolução russa e o fim da URSS. Desde de 2008 estamos entrando em uma nova fase da nossa história que é marcada por uma crise econômica que joga por terra toda a política sócio-econômica dos últimos 20 anos. Foi o fim do Estado mínimo e, para os europeus, também foi o fim do Estado de bem estar social.

É curioso observar que a sociedade do capital, da competição do todos contra todos, da incessante inovação tecnológica entra em crise, justamente, quando sua capacidade produtiva supera sua capacidade de vender. É como se essas forças produtivas se revoltassem e tomassem vida própria, se colocando à frente de todo o atual sistema social. Uma crise cuja expressão é a superprodução. O que pessoas de épocas onde crise era sinônimo de escassez pensariam das crises de hoje?
Em vez disso ser visto com gratificação a sociedade do capital atravanca a produção no lugar de impulsioná-la. E assim se vê a destruição de boa parte das forças produtivas: fabricas são fechadas e trabalhadores são demitidos para voltarmos à “escassez” e permitir que os senhores burgueses continuem lucrando.

Mas por quê a crise? A sociedade possui civilização em excesso, meios de subsistência em excesso, comércio em excesso (como diria o Manifesto Comunista), mas o excesso é um atentado contra o desenvolvimento das relações burguesas de propriedade. A capacidade de produção não mais favorece as relações burguesas de propriedade, pois essa capacidade das forças produtivas exige uma nova forma de relações sociais para se manter, de um novo sistema social.

E é assim que temos vivido, de crise em crise, nos últimos séculos.
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Video muito legal e engraçado sobre a crise financeira:
Crise Financeira Explicada

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Eleições

Alguns dias atrás vi a propaganda política do PCB na tv e eles trouxeram um dado muito interessante: que os 10% mais ricos conseguiram ficar mais ricos ainda. Tá, e daí? Isso me inspirou para escrever um testinho bem rápido sobre nossas eleições de cartas marcadas:


O Brasil proclamou sua independência, mas o filho do rei é que assumiu a gerência.
O Brasil aboliu a escravidão, mas o negro da senzala foi direto pra favela. (Gabriel, o pensador)
O Brasil quis um governo dos trabalhadores, mas o trabalhador da presidência se mostrou um grande empresário.

No Brasil de 2010 o presidente é o Lula do PT. Se alguém tivesse entrado em coma em 1998 e voltasse do coma hoje poderia pensar: finalmente o Brasil é soberano, é o trabalhador quem manda, finalmente os interesses sociais estão acima dos interesses privados.

Esta pessoa está prestes a entrar em coma de novo. O problema começa aqui.
Descobre que de cada 10 dólares de riqueza produzida no Brasil, entre 6 e 7 ficam nas mãos das multinacionais. Descobre que 62% da Petrobras 100% pública estão na bolsa de Nova York.

Percebe que no Governo do PT os trabalhadores tiveram aumento de salário em 53% e no mesmo período os grandes empresários tiveram aumento de lucro em 400%. 

Que no meio de uma das maiores crises da história distribui 11 bilhões de reais para os pobres e distribuiu 370 bilhões de reais para os ricos.

Que em vez de lutar pela soberania chega ao ponto de mandar tropas pro Haiti e de dar 4,5 bilhões de dólares pro FMI. Que foi neste Governo que começaram a privatizar a Amazônia através de concessões.

Descobre que PROER e outras maracutaias viraram brincadeira de criança. Que a Reforma Agrária é inexistente e que os trabalhadores de hoje tem menos direitos que os de antigamente.

A conclusão que o ex-comatoso chega é de que PT e sua coligação passaram a defender as mesmas políticas e a usar os mesmos métodos da direita, que tanto repudiaram. Que entre PT e PSDB só muda a cor da gravata. Não é à toa que FHC se morde de inveja.

Mas o pior ainda está por vir. Pois tudo isso aprendeu, mas ainda não tem dimensão do que ou de quem isso representa. A dívida do Brasil é de um 1,68 trilhão de reais e seus juros e amortizações representa 30,5% da arrecadação tributária.
O soldo disso tudo se revela agora com a clara mostra de quem saiu ganhando com todas essas políticas:
Em 1990 os 10% mais ricos controlavam 53% da riqueza do país; em 2010 esse montante passou para 74% da riqueza do país.

 propaganda PSTU
propaganda PCB


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A miséria moral de ex-esquerdistas


Opinião sobre um artigo de Emir Sader que possui um início brilhante e que você pode encontrar aqui. Eu o recebi de uma amiga via e-mail.

Os primeiros parágrafos são muito bons e não tem como ler e não associar estes comportamentos a certas pessoas ou grupos que conhecemos. Eu li e não pude deixar de pensar no maior exemplo brasileiro. Por um momento achei que ele estava se referindo ao PT principalmente quando escreve "precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi,".
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As críticas que se dirigem ao PT taxando-o de socialista ou qualquer coisa do tipo são realmente infundáveis. Mas também é infundável a razão para um socialista ainda permanecer no PT nos dias de hoje.

É inquestionável que Emir Sader seja um pensador mas suas opiniões e análises políticas são muito questionáveis. Ainda mais quando ele teima em tratar o PT do século 21 como se fosse o PT da década de 80. O PT de hoje trabalha para o bem estar justamente de Marinhos,Civitas, Frias, Mesquitas da vida. Poderíamos até acrescentar muitos outros nomes tais como Eike Batistas, José Alencares e, até mesmo, José Dirceus. As atitudes do PT e de seus políticos já deixaram muito claro que este partido não representa os trabalhadores. E, como Emir Sader bem observou, o PT precisa mostrar, o tempo todo, à direita que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi um dia.

É até irônico. O PT foi eleito devido a sua história de luta junto aos trabalhadores mas, agora que está no poder, faz questão de renegar seu passado a todo momento. E é trágico ver que entre Serra, Marina e Dilma só há diferença na aparência. A substância é a mesma, os interesses por trás deles são os mesmos.

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Primeira postagem


Olá! A idéia de criar este blog surgiu da necessidade de discutir acontecimentos históricos recentes ou não mas que são imprescindíveis para pensar o futuro do Brasil e do mundo.
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Sou estudante do Curso de História da UFSC e acredito que nenhuma incursão histórica tem sentido sem estar fundamentada em alguma necessidade presente que nos leve a estudar o passado. É da fusão entre passado e presente que o presente se torna compreensível. No entanto, o que tenho encontrado aqui na Universidade é uma grande apatia em relação ao desenvolvimento da história atual e mesmo recente. Essa apatia resulta em aulas enfadonhas onde a história é ensinada sem grandes análises como se fosse história morta ou ciência exata, sem relevância ou referência para questões atuais que pipocam a todo momento. Uma história descolada da realidade social e histórica.

Resolvi iniciar este blog para suprir minha necessidade de discussão e de outras pessoas que por ventura tenham a mesma necessidade ou que estejam simplesmente passando por aqui. Neste exato momento estamos sofrendo uma das maiores crises do capital nos últimos 100 anos e esta crise afeta cada país e cada pessoa sem exceção. Só por ser historiador já se torna importante analisar este momento, mas como historiador e indivíduo que vivencia esta crise, analisá-la se torna fundamental e necessário.
 
A análise que propomos aqui não deve se concentrar na mera descrição dos acontecimentos, mas no próprio processo que deu forma a estes “acontecimentos”. Essa análise deve partir do entendimento que a história não é um objeto ou alguma coisa fixa e sim um processo em contínuo movimento. E essa análise não deve se restringir a mera descrição, pois é necessário ir além das aparências para poder entender e explicar os processos históricos em questão.